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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon " Coragem "

"Eu era uma menina bastante curiosa quando a infância corria no pesar da minha inocência. Perguntava pelas coisas como se descobrir seus nomes dariam um porquê bastante relativo a elas. Acho engraçado ainda hoje quando lembro das fisionomias que meu pai fazia quando eu descrevia uma sensação que vinha me visitar e perguntava : “Papai, o que é isso? Isso tem nome, certo?”
Mas foi ontem que eu quis relembrar minha vontade de descobrir e questionar meu querido pai,repentinamente: “ Papai, o que é coragem?” .E eu sempre gostei da forma como ele não me explicava as coisas de prontidão,mas exemplificava com uma história,que mais parecia estar guardada,esperando a pergunta. E assim,permitia que eu aprendesse a sentir, antes de definir. E colocar um ''o que é'' com minhas próprias palavras,vinha depois.
Pediu que eu imaginasse um prédio em chamas e um grito de socorro. E agora, colocasse na mesma imaginação, um bombeiro que enfrenta o fogo e coloca sua vida em risco,pra salvar outra vida. Bom,isso deve ser coragem,pensei. Mas a voz do meu pai continuava: “Agora, imagine um suicida, que despreza a ida e ignora a oportunidade de crescimento.”
E meu pai era mesmo assim. Me mostrava o lado contrario das coisas. Pra fazer contraste,pra sentir o antônimo, para virar a palavra do avesso.
Então eu percebi que a coragem existe,porque existe o medo. E ela é exato, a vontade de extingui-lo. É ousar, é dar um passo para traz,para poder ir além. É também as vezes recuar. É correr atrás de um sonho, enfrentar uma fobia. É o rompimento definitivo de um obstaculo que impossibilita seguir em frente.
Coragem é quando o passarinho se depara com a gaiola aberta e experimenta a sensação de liberdade. E bate as asas,mesmo que talvez tenha esquecido como se faz isso. E voa,mesmo que seja arriscado. E alcança o horizonte,mesmo que nunca tenha estado lá antes."
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon " A sala que é uma comédia "

"As férias já estão pela metade, ainda faltam 26 dias, a saudade bateu e adivinha de quem! Daquela sala comediante que é a nossa[Camila&Mingal/]. Nada melhor que relembrar o começo de tudo, quem já passou por aqui. No primeiro dia de aula, um dia chuvoso, e uma conversa com o diretor e com os coordenadores, e eles dispensaram uma parte da turma, a turma A. E adivinha, alguns da turma B foram embora e voltaram pro segundo dia com a cabeça raspada, foi uma fila de carequinhas!
De manhã, no terceiro dia, olhei no mural o nosso horário, era avicultura de corte. Como eu tenho um problema na voz, os bi-gabas entenderam apicultura, e eu decidi não fazer nada, apenas deixá-los levar a turma para a apicultura! Antes num ter feito isso, o pessoal quis me matar e ainda perdi a confiança deles até agora.
As coisas se regularam, já sabíamos onde era as aulas e como lanchar sem perder o lanche. As amizades foram sendo construídas. Tinha gêmeos que xingam a mãe do irmão! Começavam as provas, e a turma se reunia para a famosa cola coletiva, adivinha como foi a primeira, eu coloquei uma apostila no banheiro e toda hora tinha alguém com dor de barriga! Começaram as aulas de apicultura, e a turma brigava, para não ir pra pratica é claro! Pegamos muito mel, nosso café da manhã.  Mas logo acabou e começou psicultura, a melhor que tivemos até hoje, fizemos muita, mas muita bagunça mesmo, teve afogamento, de celular! Teve escorregador na mandala e até arrastão. Chegou o dia da feira de ciências, teve uma corrida de 1 Km ou mais para pegar material na apicultura, teve algumas picadas para pegar favo de mel e paciência com o titoin para pegar o material de avicultura, coitada da galinha. A Dani foi na feira e nem viu seus futuros amigos. Também teve corrida de carriolas com a participação de nossa querida Poia. Jogamos muito UNO no ônibus, sala e em qualquer lugar. E o UNO, que foi recuperado inumeras vezes passou para o pessoal novato, esse UNO é tradição!!!
O ano acabou, mas antes, a Camila teve que comer uma mosca no último dia,sem querer é claro. E a Maiara, onde ela está até agora? Bom, ela estava em todos os acontecimentos, rindo e nos alertando como uma mãe, mas calma que daqui a pouco ela vai nos dar muita risada.
Começou o ano novamente, agora éramos os pé-quebrados. Comecemos a Dani, e como ela é uma pessoa muito cativante, logo comecei a conversar muito com ela, ela não conversa muito com a Camila, e nem conversava com a Maiara. Nossa aula pratica de Mecanização, Maiara no volante, sozinha, adivinha o que deu, deu trator atravessando a rua e quase batendo no poste! Esse ano a turma estava mais unida, todos andavam meio juntos. Veio a idéia do blog em uma aula de Construções rurais, e a Dani e Camila começaram a conversar mais, a Maiara perdeu o medo da Dani não gostar dela e vice-versa. Muita coisa aconteceu nesse tempo, e as turmas começaram a se unir, começaram a ganhar a intimidade dos professores, e da nova diretora que é muito legal. Teve uma prova que foi colada por telepatia, uma que foi colocada por pintura na parede, outra por rabiscos no quadro, outras por troca de provas, outras por plaquinhas fora da sala, assim contamos todos nossos jeitos de colar! Teve uma corrida de orientação na qual praticamente só deu nossa sala e um campeonato interno movido por batidas de garrafa e nosso hino: "Juuuuuuãããããoooooooooo"!!!Foi chegando o fim do ano, e pra encerrar o ano com chave de ouro, fizemos um amigo do chocolate, e uma pequena confraternização. Mais um ano se passou e temos boas histórias na bagagem,e aí preparados pra viver uma nova aventura ? E que venha mais alegria, mais palhaçada, mais piada, mais risos, bagunças, vamos aproveitar cada instante como se fosse o último, e talvez até seja, já que ambos vão seguir caminhos diferentes, mais sem deixar de lado nossa velha e incrível amizade."
 
terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon " Amor "

"Ele: Você ainda me ama ?
Ela: Sempre te amei.
Ele: O quanto você me ama ?
Ela: Te amo a ponto de esquecer e perdoar todos os erros do passado, esquecer que nunca esteve presente quando mais precisei, te amo a ponto de voltar para os seus braços, que é o lugar que eu nunca deveria ter saído, te amo e não quero viver em um mundo que você não esteja, só eu sei o quanto preciso de você aqui, consegues perceber o quanto é grande meu amor por você ?"
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon " Chaves perdidas "

"Eu estava sentada na cama,fingindo ter sono enquanto a casa ecoava silencio. Precisava de uma distração,algo pra fazer,algo pra comer,algo pra pensar,e antes dos “algos” eu precisava de alguém. Alguém pra conversar,alguém pra me ouvir, alguém com aquela risada escandalosa que fazia em mim outra crise de riso incontrolável . Mas ele não estava ali,no quarto. Nem na cozinha,nem na varanda esticado bem preguiçoso na rede . Na verdade,ele não estava ali fazia dois meses. Mas por que eu fui me desesperar com a ausência dele,só agora? Afinal, foi um trato,um acordo essa despedida entre nós. E bem, eu não iria bater no portão dele. Não enquanto o meu orgulho não mudasse de nome. Era demais pra mim admitir que senti saudade,sem a  certeza de que isso era reciproco.
      Levantei-me para alcançar nas ultimas prateleiras os álbuns de velhas fotografias. Eram muitas,organizadas na ordem cronológica, a medida que os fatos vivenciados foram desenrolando-se em enredo. As primeiras denunciavam minha infância, o colo maternal onde era meu lugar,meus primeiros passos,e uma menina de bochechas grandes que era o xodó dos avos,vestida por um vestido branco de babadinhos e renda,rodeada por brinquedos. Nas próximas,uma garota sapeca,de sardas na cara e tranças no cabelo. Ao decorrer das fotos,o olhar de criança foi perdendo lugar pro batom vermelho nos lábios. As fotografias da formatura coma  turma reunida,me fazia identificar minhas primeiras paixões e notar a forma como fui perdendo as amizades que jurei eternas. Mas foi quando finalmente chegava ao fim do álbum,me deparei com aquele retrato que durante todo nosso romance,morou num porta retrato,em cima da cômoda. Eramos nós dois ali,abraçados , e se não fossemos,fingíamos muito bem sermos felizes.
     Avistei o porta-retratos,tombado. Se quer exitei na certeza de que ele estava vazio. Com aquela fotografia em mãos,eu sentia o peso do tempo vazar por entre os dedos. Analisei cada traço do seu rosto fazendo careta,e percebi pela primeira vez que a sua presença resgatava em mim algo eu deixei perder enquanto crescia. Não sabia explicar ao certo, mais ficava evidente no brilho do olhar,no sorriso espontâneo,no timbre da voz. Enquanto mergulhava dentro de mim mesma,ouvi um ruido na cozinha. Pensei: além de não assumir a mim, que não posso viver sem ele,tenho minha casa invadida por um ladrão. Não seria mesmo,meu dia de sorte.
    Senti medo,não queria me certificar de que a hipótese poderia ser verdadeira. Então apenas fechei os olhos e esperei que não existisse barulho de novo. E eu ouvi os passos percorrendo o corredor e cessando bem em frente a porta do quarto em que eu me encontrava. Apertei os olhos com força, mas os ouvidos estavam bem abertos quando ouvi uma voz, a voz dele. O barulho era ele,a voz era dele, o cara da foto era ele, melhor abraço era o dele, o dono dos meus beijos era ele. E ele vinha, com uma panela de brigadeiro e duas colheres na mão, estava com o cabelo bagunçado e o perfume que eu gosto. Apenas sentou na  beirada da cama,bem na pontinha e disse:
    __ Olha,eu só entrei porque passava aqui na frente por coincidência e encontrei o portão aberto e precisava saber se estava bem. Bom, aí eu perdi as chaves,que descuido meu. Peço que me perdoe. Acho que agora vamos ter que viver juntos pelo resto da vida."
domingo, 9 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon " Jacarandá "

"Quando eu comprei minha casa pedi para que o jardineiro plantasse uma muda de jacarandá no jardim, ao lado dos brinquedos das crianças para que pudessem ter sombra para brincar, e eu nem sabia ao certo se teria. O tempo foi passando e eu visitava o jacarandá todos os dias, fazia questão em levar água para ele, ele foi crescendo e logo ficou bem mais alto que eu. Ali era o meu lugar preferido, fazia pequiniques, lia livros e tocava. Um certo dia, por um olhar me apaixonei, deixei o meu lugar que era seguro e fui morar em outros braços. No começo foi a coisa mais linda do mundo, erámos as pessoas mais felizes do mundo, fazíamos vários planos e promessas. E o tempo foi passando, as coisas sempre mudam, ela mudou, ficou diferente, seus beijos já não eram tão quentes assim, o abraço havia afrouxado, e eu não me sentia tão seguro como antes, ela havia desaparecido e eu sentia muito sua falta, havia descobrido o que era saudade ou teria tido minha primeira desilusão? Procurava em todos os lugares, pessoas e objetos que me lembravam-a, mas só encontrava meus olhos rasos d'agua, resolvi esperá-la voltar pois me dizia que nunca me deixaria, que não importava o que acontecesse, sempre estaria comigo. Debruçado na janela do segundo andar donde sempre me despedia dela, fiquei esperando-a. Notei que havia esquecido o meu jacarandá, fui visitá-lo, ver como havia ficado o meu paraíso, ele havia acabado, estava tão triste como eu, havia sido tomado por um parasita que só lhe tirou o brilho e a vitalidade, assim como esse amor fez comigo. E como nos velhos tempos de amizade, voltei a cuidar dele e ele voltou a ser o que era antes me dando bons momentos, isso tudo me fez perceber que quando está  tudo perdido, quando você está querendo voltar para os seus tempos de criança, uma amizade silenciosa é praticamente tudo que você precisa, e com o tempo as coisas vão para o seus devidos lugares!"